sábado, 14 de agosto de 2010

"A obscena senhora D"

Para poder morrer
Guardo insultos e agulhas
Entre sedas do luto.

Para poder morrer
Desarmo as armadilhas
Me estendo entre as paredes
Derruídas.

Para poder morrer
Visto as cambraias
E apascento os olhos
Para novas vidas.
Para poder morrer apetecida
Me cubro de promessas
Da memória.

Porque assim é preciso
Para que tu vivas.

Hilda Hilst.

Um comentário:

  1. Oloco !!
    Ela é fera, uma vez um grande passárinho me mandou um texto dela e eu adorei, e ela mais uma vez me surpreende!
    Linda poesia!

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